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terça-feira, 21 de julho de 2009

Cotidiano dos sem vida

Eles estão no chão.
O vento frio bate
E eles tremem,
Tremem de fome.
O sol quente arde
E eles soam,
Soam sem nome.

Eles estão no chão.
O mundo passa
E eles passarão,
Passarão por mais humilhação.
O tempo se desfaz
E eles continuam,
Continuam implorando salvação.

Eles estão no chão.
Sentados e deitados
São vários,
São todos coitados.
Eles não são.

Eles estão no chão.
Quebrados aos pedaços
Fragmentados,
Negando o sim
Aceitando o não.

Eles estão no chão.
Estão sujos,
Fedidos,
Sozinhos em meio à multidão.

Eles estão no chão
E apodrecem
Como frutas de outra estação,
Como se fossem o resto
Duma outra geração.

Eles estão no chão
E esperando por caridade,
Aguardando qualquer boa vontade
Como se assim viesse à solução.

Eles estão no chão.
Paralisados
Como se a vergonha pesasse,
Como se a pobreza enfraquecesse,
Como se tudo passasse,
Passasse de confusão.

Eles estão no chão.
Drogados,
Entorpecidos sem ação.
Estão ignorados
Por esses que passam,
Por aqueles que passarão.

Eles estão no chão.
Todos com mãos estendidas
Sem destino a seguir,
Olhando para pessoas desinibidas
Sussurrando sem ao menos rir.
Mas por qual razão?

Eles estão no chão.
Afastados,
Parados,
Mal acostumados,
Doentes sem proteção.
Mas quem eles são?

Eles não são!
Eles apenas estão.
Estão pairando de lá para cá
Lotando as praças,
Os viadutos,
O famoso minhocão.

Eles estão no chão,
De todos os lados
No meio da população.
Fedidos, suados, rasgados
Picotados, famintos, odiados
Vivendo em vão.

Eles estão no chão.
Em qualquer parte do chão.
Pedindo e pedindo,
Emburrados
No aguardo do teu pão.

Eles estão no chão.
E a morte é certa
Que nem a fome, o frio e a desilusão.
Certos de quase nada
Aguardam como ignorantes alienados
O direito de serem empacotados num cachão.
Sim, de papelão!

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